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Polêmica no mundo da música: Suno se defende de ação judicial e reafirma originalidade de suas criações com IA.

Polêmica no mundo da música: Suno se defende de ação judicial e reafirma originalidade de suas criações com IA



O caso em questão:


Em junho de 2025, o artista independente Anthony Justice, representado pela gravadora 5th Wheel Records, ajuizou uma ação coletiva contra a empresa de inteligência artificial Suno, acusando a plataforma de usar suas gravações — e as de milhares de outros artistas independentes — para treinar sua IA sem autorização. A queixa, protocolada no Distrito de Massachusetts, alega que o modelo da Suno “copiou e duplicou” músicas protegidas por direitos autorais para gerar conteúdos que competem com os originais no mercado musical.

A ação segue os passos de um processo anterior, de junho de 2024, movido pelas grandes gravadoras (UMG, Sony e Warner), apoiadas pela RIAA, que questiona tanto o treinamento da IA como os conteúdos gerados — acusando-os de violarem o copyright.


A defesa da SUNO:


No dia 18 de agosto de 2025, a Suno apresentou uma moção para arquivar o processo (motion to dismiss), argumentando que a ação “falha como questão de direito”. O cerne da defesa se baseia no Artigo 114(b) da Lei de Direito Autoral dos EUA: para que haja infração, seria necessário que o áudio gerado contivesse um sample literal da gravação original — algo que a Suno afirma categoricamente não ocorrer em sua plataforma.

A empresa reforça que seus resultados são sons completamente novos, fruto de aprendizado e síntese, e não colagens ou replicações diretas de gravações já existentes. Mesmo que sua IA tenha sido treinada em um vasto conjunto de músicas, a saída é sempre original e, portanto, não infringe direitos sobre gravações pré-existentes.


Precedentes judiciais e processo em andamento:


No campo jurídico, a Suno cita decisões favoráveis recentes em casos envolvendo IA e direitos autorais — como Bartz v. Anthropic e Kadrey v. Meta, ambas julgadas como fair use por terem envolvido treinamento em obras protegidas, embora aplicadas a texto e não a música.


Além disso, a Suno enfrenta outra frente judicial: uma ação movida pela sociedade de gestão coletiva alemã GEMA, iniciada em janeiro de 2025.

Apesar da controvérsia, a empresa segue evoluindo sua plataforma, lançando a versão V4 com melhorias na qualidade de áudio e com Timbaland como conselheiro estratégico.


Repercussão no setor e o olhar da indústria:


O debate sobre IA e direitos autorais na música ganhou ainda mais força após a Amazon anunciar que a Suno estaria integrada ao Alexa+, permitindo que os usuários gerassem músicas via comandos de voz. Essa parceria gerou forte reação da indústria musical, com organizações como a Artists Rights Alliance e a UK Music criticando a iniciativa, apontando-a como uma ameaça ao ecossistema criativo e à remuneração dos artistas.

Já algumas análises destacam o impacto que essas tecnologias têm em modelos tradicionais de monetização e levantam questões legais sobre fair use e a saturação do mercado por conteúdos gerados por IA.



Vozes nas redes sociais:

Nas redes sociais e fóruns como o Reddit, a comunidade discute o tema com pontos de vista diversos:

  • “Haverá muito provavelmente um futuro em que essas empresas de IA terão que mostrar as fontes e pagar royalties.”

  • “Quando você treina com música protegida por direitos autorais, inevitavelmente pedaços desses dados aparecem nas canções geradas de forma reconhecível.”

  • “Durante o treinamento, o modelo aprende padrões e depois cria novas versões. Isso é transformador. Não é como pegar a batida de Beat It e colocar em outra música. Não é assim que funciona.”


Conclusão:


A disputa entre Suno e os criadores independentes — e contra as grandes gravadoras — promove uma discussão fundamental sobre inteligência artificial, direitos autorais e autoria musical. A defesa da Suno, baseada no caráter original de suas criações e nas especificidades do direito autoral dos EUA, abre um caminho potencialmente inovador — e controverso — para a música no século XXI.


Nossa visão sobre o assunto:


Queremos aproveitar este espaço para compartilhar nossa perspectiva pessoal sobre toda essa discussão envolvendo a Suno, a inteligência artificial e os direitos autorais. Mais do que apenas um debate jurídico, acreditamos que estamos diante de uma transformação cultural profunda, que mexe com o próprio significado da criação musical.


Como artistas e curadores, sempre enxergamos a originalidade como essência da música. É claro que todos nos inspiramos em algo, mas existe uma diferença entre influência e cópia. A Suno defende que suas músicas não são samples de obras existentes, e sim criações novas. Tecnicamente, isso pode até estar correto. Mas, culturalmente, sabemos que a linha entre referência e imitação pode ser muito tênue — e isso preocupa quem cria do zero, com emoção, suor e identidade.


Do lado da indústria e da gestão de labels, vemos outro ponto crucial: a música é um ecossistema de confiança. Se artistas não tiverem garantia de que suas obras não serão exploradas sem retorno financeiro, o equilíbrio quebra. A IA pode gerar sons infinitos, mas sem devolver valor ao criador, só amplia a sensação de injustiça. Para mim, qualquer tecnologia que não inclua remuneração justa e transparente para os autores inevitavelmente encontrará resistência.


Por fim, olhando de forma mais filosófica, enxeramos a IA como um reflexo ampliado do que nós, humanos, sempre fizemos: aprender com o passado para criar o novo. A diferença é a escala. Enquanto um artista pode passar a vida ouvindo milhares de músicas, uma IA “absorve” milhões em semanas. Isso assusta, mas também mostra o potencial. A verdadeira disputa não é contra a IA em si, mas contra a forma como ela será implementada e controlada.


Em resumo: acreditamos que a IA pode ser uma aliada criativa incrível, mas só se respeitar o autor, devolver valor ao ecossistema e preservar a identidade da música. Caso contrário, corre o risco de transformar a arte em commodity — e nesse cenário, quem perde não é a indústria, mas o coração da música: o próprio artista.


Fontes: Music Business Worldwide, Complete Music Update, Mass Lawyers Weekly, Pitchfork, Axios, Reuters, New Industry Focus, The Times, The Verge.

Sobre o autor: Aaron Mello é âncora do programa Radar Sonoro na Rádio Guardiã da Notícia, além de ser especialista fonográfico, produtor musical e CEO da DNBB Records, uma das maiores labels de Drum and Bass da América Latina. Atua também como COO da Conectahit, startup brasileira de licenciamento musical.

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Convidado:
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Convidado:
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